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Avisos iniciais

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2011-03-23

Grão e Ruído

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Esse texto foi revisado e publicado novamente no novo espaço:

Recentemente tive uma conversa interessante com um amigo pelo e-mail. Por se tratar de um tema interessante compartilho alguns trechos com meus leitores.

Uma questão foi mais ou menos assim:
Pergunta: Grão e ruído é a mesma coisa? Para mim (ele) grão era a parte romântica da fotografia, bem diferente de ruído.
Resposta: Grão e ruido são coisas completamente diferentes. E essa história da parte romântica da fotografia é coisa nova de quem olha fotos antigas.

Entendendo o que é grão na fotografia analógica

Grão aparece por estar ali, faz parte do filme não tem como retirar. Na tecnologia que se chegou para a fotografia analógica (a única, que de forma purista pode ter esse nome – fotografia), não se fez nada de diferente para aumentar a sensibilidade a luz do material fotossensível, além de aumentar o tamanho do grão espalhado na emulsão – grão fino resulta em baixa sensibilidade e grão grosso alta sensibilidade.

Poderiam ter pesquisado outros materiais que tivessem grande sensibilidade mesmo em grãos finos, mas isso não foi feito com muito entusiasmo pelos fabricantes de filmes (e cromo) para a fotografia. Até existem materiais mais sensíveis a luz que os usados nos filmes, mas utilizá-los implicaria em se mudar toda a tecnologia da infraestrutura de serviços de revelação e, talvez, ampliação - outras máquinas operando com outros produtos químicos - complicando para o mercado entender os custos e embarcar na nova tecnologia, mesmo com o ganho de qualidade no resultado final.

Entendendo o que é ruido na fotografia digital

Ruido é provocado pela amplificação do ganho de sinal nas células fotorreceptoras do sensor. Com o avanço da tecnologia ele vem, cada vez mais, diminuindo e, imagino, um dia será praticamente eliminado ou só aparecerá para valores extremamente altos de sensibilidade (isso já é praticamente realidade - Nikon D3S chegando a ISO 102400 em sensor de 12 megapixel full-frame 35mm, em 12800 praticamente não se percebe ruido).

Para se amplificar o sinal tem-se que aumentar a corrente elétrica e isso faz com que, devido a proximidade dos circuitos, o campo magnético induzido pela corrente elétrica num fotorreceptor provoque interferência nos fotorreceptores adjacentes. Por isso, uma câmera com sensor menor e muito megapixel (muitos fotorreceptores) é mais propensa ao ruido que uma câmera com sensor maior e o mesmo número de megapixel – densidade alta de megapixel por cm² da superfície do sensor. A densidade alta de pixel também trás outras coisas que prejudicam a imagem capturada por um sensor pequeno com muito megapixel, além do ruido, mas isso é outra história.

É bom notar que a falta de nitidez que o ruido do sensor de uma câmera DSLR de hoje em ISO 800 é infinitamente menor que a falta de nitidez do grão de um filme de ISO 800, mesmo um filme de alta qualidade. Lembrando que o ruído digital pode ser tratado digitalmente de forma a ficar parecido com o grão  de tipos específicos de filmes, caso se ache interessante ter esse efeito.

Outros olhos para a questão de grão ser bonito e ruido ser feio

Eu, aprendi com Meilir Page-Jones, no livro "What Every Programmer Should Know About Object-Oriented Designs", que os programadores (válido em várias áreas de atividades - se não em todas), podem divididos entre os Revolucionários, os Reacionários e os Evolucionários. É claro que ele falou isso contextualizando na evolução das linguagens de programação (mais precisamente na Orientação a Objetos). Vou tratar da mesma coisa relacionando com a fotografia analógica versus a fotografia digital.

Os revolucionários, veem a fotografia digital como o máximo e que nada do que se faz hoje era possível no tempo da fotografia analógica. Não percebem que a fotografia digital tenta reproduzir tudo de bom que a fotografia tradicional fez (e ainda faz), não notam que seus maravilhosos editores de imagens reproduzem o que um bom técnico de laboratório fazia (um fotógrafo de ontem se não soubesse fazer as coisas no laboratório, ele mesmo, dependia desse técnico para que a sua foto tivesse o impacto que ele imaginou – o que seria de Bach sem o tocador de fole para alimentar o órgão com ar?). Não lembram, não aprenderam ou fazem questão de esquecer a fotografia tradicional. Não nego que a fotografia digital trouxe alguns benefícios e facilidades, mas ela tem como base a fotografia tradicional (analógica, de filme).

Os reacionários, tendem a dizer que a fotografia digital não presta e que não é fotografia (se for na raiz da palavra não é mesmo, mas isso é outra história que não sei se concordo). Valorizam tudo da fotografia tradicional até as coisas que eram vistas como muito ruins e indesejadas (grão, por exemplo) quando só se tinha a fotografia tradicional, dizem que ruido é feio e grão é bonito. Grão só passou a ser considerado bonito faz pouco tempo, tive professores que abominavam o grão. Filme ISO400 (T-MAX 400 Kodak) era péssimo para se fazer ampliação maior que 10x15, pois o grão aparece muito em 20x30.

A maioria dos reacionários, pode não ter vivido e sentido, na pele, os problemas que um fotógrafo passava e podem não saber o que era a fotografia na época das imagens que eles enaltecem hoje como muito belas. Outro exemplo disso é a baixa profundidade de campo de certas aberturas em certas lentes, isso já foi ruim e indesejado. Uma foto boa tinha a profundidade de campo maximizada para que tudo parecesse em foco - basicamente se fazia fotos aproveitando a distância hiperfocal.

Os evolucionários, pegam o bom dos dois mundos, alguns acham grão feio e ruido também, outros pegam o ruido e tratam digitalmente (com cuidado para não exagerar) para que ele pareça o grão que acham bonito. São os revolucionários que trazem as ideias novas, mas são o evolucionários que tiram bom proveito dela, construindo o mundo. Foram evolucionários os fotógrafos que passaram a usar o controle de foco seletivo que a baixa profundidade de campo, das grandes aberturas, proporciona como forma de dar destaque a algo na composição, aproveitando algo que era visto como defeito para fazer algo bom.

Esse texto é uma adaptação de parte de um papo que ainda está rolando, por e-mail, entre eu e um amigo. Foi colocado aqui, para provocar uma reflexão. Aguardo comentários.

3 comentários:

  1. parabens por dedicar uma parte do seu tempo se dedicando a passar um pouco de conhecimento para as pessoas que se interessam por fotografia.Que Deus o abençoe

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  2. Muito interessante. Deixou-me a pensar sobre esta questão...

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  3. Informação show! Abraço.

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