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Avisos iniciais

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2011-12-21

Camera profissional e semi-profissional - Não seja enganado!

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Mais um texto motivado por uma questão levantada numa pergunta (acho que não foi bem uma pergunta, mas um chamado para que as pessoas se manifestassem) no Yahoo!Respostas.

Agradeço ao amigo virtual, que se auto denomina "Y." (ao menos quando esse texto foi escrito), pela oportunidade de me expressar. Confesso que sou preguiçoso e preciso de um estímulo externo para produzir textos.

A questão levantada por ele, me remeteu ao meu primeiro texto nesse blog e aos questionamentos que devem afligir toda pessoa que está desejando se aprofundar na fotografia e vai começar a jornada da escolha de uma câmera que seja "melhor" que a simples compacta "aponte e dispare" que ele (ou ela) utiliza até o momento.

Vamos ao que interessa.

Profissional é a pessoa que exerce uma atividade para dela tirar seu sustento (ou grande parte dele). Não tem a ver com qualidade do trabalho nem com o tipo de equipamento utilizado.

Um objeto não pode ser profissional ele pode ser usado por um profissional para fazer o seu trabalho.

Note também que, não existe uma pessoa que seja semi-profissional, pode ser um bom ou um mau profissional. Semi, no sentido de quase, não existe para se classificar uma pessoa, poderíamos entender o semi para um profissional aprendiz, mas ele não é um profissional ainda, mas certamente estaria usando e aprendendo a usar equipamentos de uso profissional.

Quando se diz que um equipamento é profissional, vejo como se resumir a frase "equipamento para uso profissional". Se está afirmando que o equipamento é construído (tem robustez) para o uso de um profissional na sua atividade.

Não é o equipamento que faz o indivíduo ser profissional, por exemplo, um marceneiro pode utilizar furadeiras e lixadeiras "de hobby" para fazer o seu trabalho, é claro que ele vai estar meio limitado quanto a durabilidade e precisão do equipamento, mas não estará impedido de trabalhar. Conhecendo as limitações do equipamento fará um bom ou mau trabalho em função apenas de sua capacidade e conhecimento, pode até demorar mais para fazer o mesmo trabalho pois o equipamento o está limitando.

Um grande e reconhecido fotógrafo, Cartie Bresson, usava uma rangefinder da Leica, câmera que não poderia ser chamada de profissional se essa terminologia fosse utilizada na época dele (será que era?). Mas, era a câmera adequada para o que ele pretendia com a sua fotografia.

Se alguém me perguntar por câmera de uso profissional, responderei com outra pergunta:

"Que tipo de uso profissional?"

As pessoas tendem a achar que câmera de uso profissional são somente as grandes e com troca de lentes. Mas, tem muito repórter fotográfico, principalmente em zonas de conflito, usando câmeras compactas, justamente por serem pequenas, terem boa robustez, não precisarem de se ficar trocando lentes, terem o sensor pequeno (*), resumo, todo o necessário para uma boa fotografia de jornalismo em condições adversas.

Eu tenho uma grande e pesada DSLR pois ela é adequada para o tipo de trabalho que desejo realizar. Não sou profissional de fotografia, faço isso apenas por diversão e prazer pessoal, nem por isso deixo de me classificar como fotógrafo (isso mesmo, sem adjetivos que induzam um juízo de valor sobre minhas fotografias). Ah! Com uma câmera grande e pesada as pessoas num lugar costumam até abrir espaço para você fotografar, mas esse tipo de equipamento não é nada discreto para fazer fotografia de rua.

Acho que nós, fotógrafos (**), conhecedores de equipamentos e suas funcionalidades, deveríamos parar de classificar câmeras dessa forma - profissional e semi-profissional. Forma de classificação imposta pelo mercado e que está intimamente ligada a um juizo de valor sobre qualidade do resultado final na fotografia.

O mercado (a propaganda) quer dizer, de forma implicita (aproveitando a conotação que damos a palavra profissional) que, com um equipamento desse tipo, faremos uma fotografia melhor. Com se a câmera classificada de semi-profissional (no inglês prosumer) fosse um equipamento de maior valor agregado. Isso induz o iniciante a um erro de escolha e a uma compra por impulso achando que é o tipo de equipamento que fará diferença resultado final em suas fotos, quando, na realidade é o fotógrafo que faz diferença na fotografia, o equipamento só não pode atrapalhar.

Sugestão final: Conheçam o seu equipamento, aproveitem tudo que ele oferece, aprendam técnica de fotografia, saibam o que é medição de luz e balanço de branco, até câmeras básicas podem ter bons recursos.

Fico por aqui. Os comentários estão abertos como sempre. Mas, por favor, não usem este espaço para me pedir dicas de qual câmera comprar.

Um grande abraço.

Flávio RB

(*) Faz com que a lente trabalhe, quase sempre, em distância hiperfocal possibilitando ampla profundidade de campo
(**) Não importa se profissionais ou amadores, termos que não implicam num juizo de valor sobre o resultado da obra.